Menor consumo de água, eliminação de barragens de rejeitos e redução da área ocupada foram avanços destacados durante apresentação sobre o Projeto Santa Quitéria nesta quinta-feira, 28 de maio, no 17º Seminário Internacional de Energia Nuclear (SIEN 2026). Desenvolvido pela Indústrias Nucleares do Brasil (INB) em parceria com a Galvani, o empreendimento foi apontado como estratégico para a produção nacional de fertilizantes e para a autonomia do país no abastecimento de urânio para as usinas nucleares brasileiras.
A coordenadora de gestão do projeto pela INB, Alessandra Costa Barreto, apresentou a trajetória do empreendimento, desenvolvido no município de Santa Quitéria, no Ceará. Segundo Alessandra, melhorias tecnológicas realizadas após a retomada do licenciamento, desde 2019, possibilitaram reduzir em cerca de 20% o consumo de água, eliminar barragens de rejeitos e diminuir em até 50% a área ocupada em relação ao projeto original, ampliando a viabilidade ambiental e operacional.
O projeto prevê a produção anual de 1,05 milhão de toneladas de fertilizantes fosfatados, 220 mil toneladas de fosfato para nutrição animal e 2,3 mil toneladas de concentrado de urânio, volume suficiente para atender às usinas de Angra 1, 2 e 3, eliminando a necessidade de importação. Alessandra também destacou o pioneirismo do projeto na mineração de urânio, por ser o primeiro realizado em parceria de uma empresa pública com a iniciativa privada. “E eu falo desse pioneirismo não só no cenário do operador do sistema, mas também para o regulador. O Projeto Santa Quitéria é, então, um case importante quando se fala da regulamentação efetiva da Lei 14.514/2022, que permitiu a flexibilização do monopólio da mineração de urânio”, explicou.
Licenciamentos
O Projeto Santa Quitéria está atualmente na fase de licença prévia ambiental, com expectativa de aprovação em 2026. A fase de instalação está prevista para 2027, e a operação deve começar em 2031. Durante a construção, a estimativa é gerar cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos, além de 3 mil na fase operacional, impulsionando significativamente a economia local.
Durante o painel, a coordenadora de Licenciamento Ambiental e Direitos Minerários, Gleice Barcelar, da Galvani, detalhou o trabalho de licenciamento ambiental e nuclear, com foco na transparência e no relacionamento com a comunidade. Um dos exemplos citados foi o desenvolvimento do Programa de Monitoração Radiológica Ambiental Pré-Operacional que vem sendo executado, desde 2022, com campanhas trimestrais e semestrais que mapeiam solo, água, sedimentos, vegetação, ar e fauna. Os dados são compartilhados com a Agência Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) e com a população.
Além disso, Gleice afirmou que as equipes da INB e da Galvani mantêm um escritório em Itatira e outro em Santa Quitéria com o objetivo de aproximar a população do projeto e garantir a transparência sobre todas as etapas de execução. “A nossa torcida é que a gente consiga superar essa etapa com a obtenção da licença prévia para darmos encaminhamento a esse projeto tão estratégico para o nosso país”, frisou Gleice.
Reconhecido como estratégico pelo Plano Nacional de Fertilizantes e pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o empreendimento reforça o papel do Brasil na produção de energia limpa e na segurança alimentar, ao mesmo tempo em que promove desenvolvimento social e infraestrutura para a região.
O Seminário de Energia Nuclear (SIEN 2026), realizado no Rio de Janeiro, termina nesta sexta-feira (29). Confira aqui como foi a participação da INB no primeiro dia do evento.