Em podcast, INB destaca papel estratégico do urânio na transição energética

As perspectivas para o setor nuclear brasileiro no contexto da transição energética e da segurança energética global foram debatidas na última terça-feira (24/03) durante participação do presidente da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Tomás Albuquerque, no podcast ISOMines Talks. O encontro foi conduzido pela cofundadora da ISOMines Gizelle Tocchetto e foi transmitido ao vivo pelo LinkedIn e YouTube.

A conversa abordou o posicionamento do Brasil no cenário internacional, destacando o potencial mineral do país e a relevância estratégica do urânio diante do aumento da demanda global por fontes de energia confiáveis e de baixa emissão de carbono. Segundo Tomás, o urânio tem ganhado protagonismo como elemento essencial para garantir segurança energética, especialmente em um contexto de crescimento do consumo elétrico e de necessidade de redução de emissões.

Durante o debate, o presidente da INB ressaltou que o Brasil possui reservas significativas do mineral, com destaque para o projeto de Santa Quitéria, e detém conhecimento técnico relevante ao longo de todo o ciclo do combustível nuclear. Apesar disso, a baixa demanda interna ao longo dos anos limitou o avanço da prospecção mineral, mantendo o país com produção voltada, principalmente, ao abastecimento de seus dois reatores nucleares.

Ao comparar o cenário brasileiro com o internacional, Tomás destacou o avanço de países como China, Estados Unidos e França, que vêm ampliando seus programas nucleares como estratégia de autonomia energética. Nesse contexto, reforçou que a energia nuclear se apresenta como solução complementar às fontes renováveis, por sua capacidade de geração contínua e estável. “A transição energética só será possível com a participação do nuclear, que entrega energia em larga escala, de forma firme e sem emissões”, afirmou.

Segundo o presidente da INB, a atividade ainda enfrenta desinformação e estigmas associados ao uso do urânio, o que reforça a necessidade de ampliar a comunicação e a transparência sobre o tema, destacando seus benefícios e os avanços em segurança ao longo das últimas décadas.

Outro ponto de destaque foi a recente abertura para parcerias com o setor privado, viabilizada por mudanças legais que permitem ampliar a prospecção mineral no país. A INB trabalha atualmente na estruturação de modelos de negócios que possibilitem a participação de investidores, preservando o monopólio da União sobre o urânio. A expectativa é que essas iniciativas contribuam para expandir a produção nacional e posicionar o Brasil como fornecedor relevante no mercado internacional.

Além disso, foi discutido o impacto do crescimento tecnológico no consumo de energia, com destaque para o avanço da inteligência artificial, que tende a aumentar significativamente a demanda energética global. Nesse cenário, o fortalecimento da matriz nuclear aparece como alternativa estratégica para sustentar o desenvolvimento econômico com menor impacto ambiental.

Ao final, Tomás Albuquerque destacou que o Brasil já trata o urânio como um mineral crítico e caminha para consolidá-lo como ativo estratégico no século XXI. Com reservas expressivas, domínio tecnológico e crescente demanda global, o país tem a oportunidade de ampliar sua participação no setor nuclear e transformar esse potencial em desenvolvimento econômico e segurança energética.

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