INB desenvolve equipamento especial para inspeção dos combustíveis em Angra

Um equipamento contendo câmeras de captação de imagens desenvolvido pela Indústrias Nucleares do Brasil (INB) para inspecionar os combustíveis nucleares nas piscinas dos reatores de Angra será utilizado pela primeira vez em uma operação real. A solução, criada por profissionais da empresa na Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), em Resende (RJ), foi levada à Eletronuclear no dia 13 de setembro e a avaliação de seu desempenho em condições de alta radiação está prevista para o próximo dia 27 de setembro.

O sistema foi desenvolvido pela equipe de Serviços em Reator, da Gerência de Engenharia de Projeto do Combustível e de Serviços, a partir de uma necessidade identificada durante as inspeções visuais debaixo d’água dos combustíveis dentro do reator, realizadas com câmeras importadas. Essas atividades fazem parte da rotina dos Serviços em Reator durante as paradas de Angra 1, que acontecem aproximadamente a cada 15 meses, e de Angra 2, em intervalos de cerca de 13 meses. A proposta foi criar uma solução nacional, utilizando conhecimentos e recursos disponíveis no país.

A iniciativa também apresenta potencial de economia. Segundo estimativas levantadas pela equipe durante o desenvolvimento do projeto, uma câmera importada utilizada nesse tipo de atividade custa aproximadamente R$ 700 mil, considerando os valores de importação. Em uma aquisição anterior, três câmeras representaram um investimento de aproximadamente R$ 2 milhões. Já o equipamento desenvolvido pela INB teve custo estimado em cerca de R$ 120 mil, considerando os materiais utilizados no projeto.

O resultado foi o desenvolvimento de um conjunto de inspeção por câmera construído internamente, desde a estrutura até o sistema de controle e transmissão de imagens. “O conjunto utiliza uma estrutura de alumínio adquirida especificamente para o projeto e componentes de aço provenientes de materiais disponíveis que não seriam utilizados na fabricação do combustível nuclear. Cabos, conectores, componentes eletrônicos e um sistema de controle desenvolvido pela própria equipe completam a solução”, explica Paulo José Dutra, engenheiro eletricista da INB.

O engenheiro acrescentou que, além do custo menor, o desenvolvimento interno permite que a equipe conheça todas as etapas de construção e especificação do equipamento, o que pode facilitar futuras manutenções e a substituição de componentes.
Antes de chegar à Eletronuclear, a câmera passou por uma série de testes na própria INB. Os ensaios foram realizados em condições mais severas do que as previstas para a operação. Em um deles, o equipamento permaneceu em água aquecida a 55 °C, acima dos aproximadamente 45 °C esperados durante a inspeção nas usinas nucleares. Também foi realizado um teste de pressão com o dobro da condição prevista para a operação.

A utilização na Eletronuclear será uma nova etapa do projeto. Diferentemente dos testes realizados na INB, o equipamento será empregado na inspeção dos combustíveis nucleares em uma atividade real e terá seu desempenho acompanhado durante a exposição à alta radiação do ambiente.

Perspectivas de melhorias: A equipe também já trabalha em novas funcionalidades para o equipamento. Uma das possibilidades em estudo é uma contratação do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ) para implementar uma inteligência artificial capaz de auxiliar na identificação de falhas ou anomalias nas imagens obtidas durante as inspeções. Outra frente prevê a inclusão de movimentações mecânicas controladas remotamente, permitindo posicionar e movimentar a câmera à distância durante as atividades.

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