INB participa do SIEN 2026 e destaca desafios e oportunidades para o setor nuclear brasileiro

A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) participou, nesta quarta-feira (27), da abertura do 17° Seminário de Energia Nuclear (SIEN 2026), realizado no Rio de Janeiro. O evento segue até o dia 29 de maio e reúne representantes do setor nuclear, autoridades, especialistas e empresas para discutir os caminhos da energia nuclear no Brasil.

Representando o presidente da INB, Tomás Albuquerque, a superintendente de Engenharia, Projetos e Gestão da Qualidade, Renata Rangel de Carvalho, integrou a sessão de abertura, que foi composta também pelo almirante Petronio Augusto Siqueira de Aguiar, secretário Naval de Segurança Nuclear e Qualidade;  o almirante Newton Costa, presidente da Amazul, Bruno Estanqueira Pinho, assessor da Presidência da Eletronuclear; Thiago Ivanoski, diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), e Ruan Nunes de Sousa, vice-diretor da Rosatom América Latina, de forma remota.

Durante sua fala, Renata destacou o papel estratégico da INB no ciclo do combustível nuclear brasileiro, desde a mineração até a produção do combustível utilizado nas usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2. “A INB está plenamente alinhada às metas de transição energética, de energia limpa, e ao planejamento do Programa Nuclear Brasileiro e do PNE 2050”, afirmou.

Para atender as demandas atuais e futuras da geração elétrica por fonte nuclear, a superintendente destacou a necessidade de investimentos e parcerias. "Hoje temos a mineração na unidade de Caetité, na Bahia, mas precisamos ampliar nossa capacidade de produção para atender à demanda interna. Em parceria com a Amazul, estamos trabalhamos no projeto de ampliação da capacidade de enriquecimento. Além disso, precisamos implantar uma unidade de conversão", explicou.

De acordo com Renata, para que esses projetos avancem, são fundamentais financiamentos e avanços regulatórios. “Estamos em busca de parceiros e de soluções que contribuam para redução de custos e para tirar os projetos do papel. Eventos como o SIEN são fundamentais para promover conexões e ampliar o diálogo entre os diversos atores do setor”, completou.

Importância do urânio para transição energética

Na programação da tarde, a INB foi representada por Saulo Ribeiro, superintendente de Novos Negócios e Minerais Estratégicos Associados ao Urânio, no painel “Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos”. O superintendente destacou a importância do urânio no contexto da transição energética e defendeu que o mineral deve ser considerado simultaneamente crítico e estratégico para o desenvolvimento nacional.

Durante a apresentação, Saulo Ribeiro explicou que minerais críticos são aqueles cujo desequilíbrio entre oferta e demanda pode afetar o desenvolvimento econômico do país, enquanto os minerais estratégicos são fundamentais para o avanço econômico, tecnológico, da defesa, da inovação e da transição energética. Para ele, o urânio se enquadra nas duas categorias. “O urânio é essencial para a geração firme de energia e de baixa emissão. Ele é estratégico pelo seu uso na transição energética, e também crítico, porque um desequilíbrio na demanda e oferta pode afetar o desenvolvimento econômico”, defendeu.

O superintendente ressaltou as condições favoráveis do Brasil, como os recursos significativos de urânio, a experiência de décadas da INB e o domínio tecnológico da cadeia do ciclo do combustível nuclear. No entanto, afirmou que o país precisa avançar para aproveitar o cenário geopolítico atual, marcado pela busca global por cadeias seguras e diversificadas de suprimento de minerais críticos.

Sobre as metas do Plano Nacional de Energia de expansão da geração nuclear para cerca de 14 gigawatts, Saulo informou que será necessário quase sextuplicar a produção nacional de urânio.  Segundo ele, alguns pontos da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos podem contribuir para acelerar projetos considerados prioritários, trazendo mais segurança jurídica para parcerias e ampliando o ambiente de negócios.

Ao encerrar sua participação, o superintendente da INB destacou que o Brasil reúne atualmente condições favoráveis para ampliar sua presença no mercado global de urânio, combinando potencial geológico, maturidade tecnológica e aumento da demanda internacional. Segundo ele, a valorização do urânio no mercado internacional vem tornando viáveis projetos antes considerados economicamente inviáveis. “A demanda de urânio nos próximos dez anos vai superar a oferta. Se a gente não fizer agora, vamos perder essa janela de mercado”, concluiu.

O painel foi moderado por Carlos Freire, diretor executivo da Infra Minerals, e contou ainda com a participação on-line de Thomas Schrage, coordenador-geral de Mineração Sustentável do Ministério de Minas e Energia.

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