Com foco no fortalecimento da cadeia nuclear brasileira, além da discussão de oportunidades ligadas à infraestrutura, tecnologia e desenvolvimento de projetos estratégicos para o setor, representantes da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A. (Amazul) e do Banco Mundial participaram, nesta quinta-feira (21), de uma visita técnica institucional à Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Resende (RJ).
Durante a visita técnica, a comitiva percorreu a Usina de Enriquecimento Isotópico, a Fábrica de Reconversão, a Fábrica de Pó e Pastilhas e a Fábrica de Componentes e Montagem — complexo responsável por etapas da fabricação do combustível que abastece os reatores nacionais.
O encontro em Resende dá continuidade a aproximação institucional da ENBPar com as operações da INB. Recentemente, uma comitiva da holding também estive na Unidade de Concentração de Urânio (URA), em Caetité (BA).
Ao todo, a comitiva reuniu 25 representantes. O grupo foi recebido pela diretoria da INB, representada por Reinaldo Gonzaga (Combustível Nuclear), Alexandre Siciliano (Enriquecimento Isotópico) e Itamar de Almeida (Finanças e Administração).
Integração técnica e novos mercados
Para o diretor-presidente da ENBPar, Marlos Costa de Andrade, alinhar as equipes técnicas à realidade operacional é um passo fundamental para consolidar a governança do setor.
“Queremos que nossos técnicos compreendam a fundo o dia a dia e a relevância da INB. Essa sinergia reforça que temos um objetivo comum: fortalecer estrategicamente a cadeia nuclear nacional”, pontuou Andrade.
O executivo lembrou também que a aproximação entre as empresas públicas e os agentes financeiros abre caminho para projetos estruturantes.
“Atualmente, trabalhamos ao lado do BNDES no desenho de iniciativas para ampliar mercados, mineração e conversão de urânio. Essa agenda dá a dimensão exata da magnitude da INB e da Eletronuclear para o desenvolvimento do país”, acrescentou.
Atração de capital e o Programa Pró-Urânio
O potencial de expansão mineral do país e a modelagem de novos negócios foram os temas centrais defendidos pelo BNDES. O superintendente da Área de Soluções de Infraestrutura do banco, Ian Ramalho Guerreiro, destacou o Programa Pró-Urânio, iniciativa que visa acelerar a pesquisa e a exploração de novas jazidas.
“Nossa meta é atrair investidores privados para ampliar a exploração de urânio no Brasil. Com isso, garantimos o abastecimento das usinas de Angra e preparamos o país para atender a uma demanda internacional que se mostra cada vez mais aquecida”, explicou Guerreiro.
O superintendente reiterou que o banco enxerga o uso pacífico da energia nuclear não apenas como vetor de inovação, mas como pilar de segurança energética para o crescimento econômico do Brasil.
Tecnologia e Gestão do Conhecimento
A agenda também passou pelo balanço da cooperação técnica com a Amazul. O coordenador de Gestão de Projetos da companhia, Valdinei Ciola, citou o andamento do projeto básico da Unidade Comercial de Enriquecimento (UCEU) e antecipou novas frentes em prospecção, como a implementação de um sistema estruturado de Gestão do Conhecimento.
“Trata-se de uma ferramenta essencial para reter o capital intelectual acumulado pelos profissionais mais experientes em áreas de alta complexidade, garantindo a formação de sucessores em funções altamente especializadas”, justificou Ciola.