A produção do combustível nuclear que irá abastecer a próxima recarga da usina nuclear Angra 2 já está em andamento na Indústrias Nucleares do Brasil (INB). A empresa concluiu, no dia 28 de julho, a montagem do primeiro elemento combustível na Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), em Resende (RJ). No dia 30 de julho, o elemento foi certificado após ser aprovado em todas as inspeções de qualidade previstas no processo produtivo.
No total, serão fabricados 52 elementos combustíveis destinados à usina. A previsão é de que toda a montagem seja concluída até dezembro de 2026, com entrega do conjunto à Eletronuclear em março de 2027.
A INB avançou, nas últimas semanas, em outras etapas fundamentais do processo de fabricação do combustível nuclear. Uma delas foi a conclusão do transporte de aproximadamente 240 toneladas de urânio enriquecido (UF6) até a Fábrica de Combustível Nuclear também no dia 28 de julho. O material, proveniente da Rússia e fornecido pela TENEX, empresa do grupo Rosatom, desembarcou no Porto do Rio de Janeiro e foi transportado até Resende (RJ).
Outra etapa importante ocorreu no dia 07 de julho, quando a INB recebeu uma carga de 390 varetas de U-Gadolínio. O material foi fabricado pela Framatome, na Alemanha, e chegou ao Brasil pelo Porto do Rio de Janeiro antes de seguir, sob rigorosos protocolos de segurança, para a FCN.
Diferentemente das varetas que são produzidas pela INB – preenchidas apenas com pastilhas de dióxido de urânio enriquecido (UO₂), as varetas importadas de U-Gadolínio possuem, em seu interior, algumas pastilhas produzidas com uma mistura de dióxido de urânio e óxido de gadolínio.
As operações de transporte do UF6 e das varetas de U-Gadolínio foram planejadas e coordenadas pela INB e realizadas em conformidade com os planos de proteção física aprovados pelos órgãos competentes. As ações contaram com o apoio de instituições como o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (Sipron), a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, a Guarda Portuária do Rio de Janeiro, a Cesportos-RJ, o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Ministério da Defesa.
Entenda:
O que é a recarga de Angra 2? A recarga é uma parada programada realizada para substituir parte do combustível utilizado pelo reator e executar inspeções e manutenções nos sistemas da usina. Em Angra 2, esse procedimento ocorre, em média, a cada 14 meses. Durante a parada, aproximadamente um terço dos elementos combustíveis é substituído por novos. Os demais permanecem em operação e continuam sendo utilizados nos ciclos seguintes. Esse processo garante que a usina continue produzindo energia elétrica de forma limpa, segura e confiável.
O que é o UF6? O hexafluoreto de urânio (UF6) é a forma gasosa do urânio utilizada na produção do combustível nuclear. Após chegar à Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), ele passa pelo processo de reconversão, transformando-se em dióxido de urânio (UO₂). Em seguida, esse material é utilizado na fabricação das pastilhas que serão inseridas nas varetas e, posteriormente, montadas nos elementos combustíveis que abastecem o reator nuclear.
O que são as varetas de U-Gadolínio? As varetas de U-Gadolínio são componentes especiais utilizados na fabricação do combustível nuclear. Elas contêm, além das pastilhas de dióxido de urânio enriquecido, algumas pastilhas misturadas ao óxido de gadolínio, um elemento químico capaz de absorver parte dos nêutrons produzidos durante a reação nuclear. Na prática, o gadolínio funciona como um regulador da reação nuclear. Nos primeiros meses de operação do combustível, ele ajuda a controlar a intensidade da reação dentro do reator, tornando seu funcionamento mais estável. Com o passar do tempo, esse efeito diminui gradualmente, permitindo que a reação continue de forma equilibrada ao longo de todo o ciclo de operação.