INB completa 38 anos preparada para um novo ciclo de oportunidades

A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) completa 38 anos nesta segunda-feira (31), em um momento de renovação das perspectivas para a energia nuclear. A empresa chega a 2026 com conhecimento acumulado, domínio tecnológico e atuação consolidada no ciclo do combustível nuclear, além de novas oportunidades para ampliar sua contribuição para o desenvolvimento energético e estratégico do país.

Para o presidente da INB, Tomás Albuquerque, a INB manteve vivo esse conhecimento ao atravessar diferentes ciclos do mercado mundial de urânio, marcados por momentos de expansão e de retração. “A empresa chega aos 38 anos diante de um novo florescimento da energia nuclear e reúne as competências necessárias para contribuir para que o Brasil participe desse movimento como protagonista”, diz.

O diretor de Combustível Nuclear e diretor interino de Finanças e Administração, Reinaldo Gonzaga, acrescenta que cada grama de urânio extraído em Caetité (BA) e cada pastilha produzida na Fábrica do Combustível Nuclear, em Resende (RJ), representam o trabalho desenvolvido pela empresa com segurança, qualidade e respeito ao meio ambiente. O resultado desse processo é o combustível nuclear utilizado nos reatores de Angra 1 e Angra 2.

O potencial brasileiro reforça a importância estratégica dessa atuação. O país está entre os dez que possuem mais recursos de urânio e integra, ao lado de Estados Unidos, Rússia e China, o grupo de quatro nações que reúnem reservas do minério e domínio da tecnologia de enriquecimento.

Novas perspectivas

O aniversário da empresa acontece em um período de crescimento da demanda por eletricidade. A ampliação do uso de equipamentos elétricos e digitais e o avanço de tecnologias como a inteligência artificial exigem fontes capazes de fornecer energia de maneira contínua e em grande escala.

O diretor Técnico de Enriquecimento Isotópico, Alexandre de Vasconcelos Siciliano, avalia que a relevância da INB cresce à medida que aumenta a necessidade de energia confiável. “A energia nuclear pode atuar de maneira complementar na matriz elétrica brasileira e ajudar a atender ao aumento do consumo esperado com as novas tecnologias”, explica.

Na avaliação de  Tomás Albuquerque, esse cenário vai além da transição energética e está relacionado à sustentação energética do mundo moderno. “Por ser firme, segura e de baixa emissão de carbono, a energia nuclear pode contribuir para a segurança do sistema e para o desenvolvimento do país”.
Entre as perspectivas para ampliar a produção nacional de urânio está o Projeto Santa Quitéria, no Ceará, atualmente em fase de licenciamento. 

Outra frente é o Programa Pró-Urânio, conduzido pela INB, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), para viabilizar parcerias estratégicas com o setor privado. O BNDES selecionou o consórcio que desenvolverá os modelos de negócio, com propostas previstas para o segundo trimestre de 2027. A iniciativa busca atrair investimentos para ampliar a pesquisa mineral e a produção sustentável de urânio no país.

A combinação entre recursos de urânio, conhecimento acumulado e domínio tecnológico oferece ao Brasil condições para assumir um papel relevante nesse novo momento da energia nuclear. Aos 38 anos, a INB celebra uma história construída por diferentes gerações de profissionais e se prepara para transformar sua experiência em novas oportunidades para a empresa e para o país.

Histórico

Empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME) e controlada pela ENBPar, a INB exerce, em nome da União, o monopólio da produção do urânio. Sua atuação abrange diferentes etapas da cadeia produtiva, da mineração e do beneficiamento ao enriquecimento e à fabricação do combustível nuclear utilizado nas usinas brasileiras.

A trajetória da empresa está ligada à estruturação do setor nuclear no país. Esse caminho começou em 1974, com a criação da Nuclebrás, e avançou com o início da construção de Angra 2, em 1981. Em 1982, foram implantadas a fábrica dedicada à produção de combustível nuclear, em Resende, e a mineração de urânio em Caldas, onde atualmente a INB conduz o processo de descomissionamento da mina. No mesmo ano, ocorreu a primeira experiência de enriquecimento de urânio com ultracentrífugas construídas com tecnologia desenvolvida no Brasil.

Após o início da operação comercial de Angra 1, em 1985, a INB foi fundada, em 1988, a partir da incorporação das empresas que integravam a Nuclebrás. Ao longo das décadas seguintes, a empresa aumentou sua estrutura industrial, iniciou a produção de urânio em Caetité, implantou as linhas de produção de pó e pastilhas em Resende e colocou em operação dez cascatas de ultracentrífugas para enriquecimento de urânio em escala industrial.

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