Presidente da INB destaca potencial do Brasil no mercado mundial de urânio durante evento do PDAC 2026

O presidente da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Tomás Albuquerque, afirmou que o Brasil pode assumir papel estratégico no novo ciclo de expansão da energia nuclear mundial. A declaração foi feita durante um encontro sobre Minerais Estratégicos e Energia do PDAC 2026, realizado em Toronto, no Canadá, no último dia 4. O evento foi promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), em parceria com o escritório Gardiner Roberts LLP, e reuniu autoridades governamentais, investidores e especialistas para discutir o papel dos minerais estratégicos na segurança energética global. O segundo painel, intitulado “O Renascimento do Urânio: Energia Nuclear no Caminho para a emissão Líquida Zero”, abordou a retomada do setor nuclear e a crescente demanda por combustível.

Segundo Albuquerque, embora a energia nuclear tenha crescido globalmente entre as décadas de 1940 e 1950, o Programa Nuclear Brasileiro avançou de forma mais lenta. “O Brasil tem dois reatores em operação, Angra 1 e Angra 2, e um terceiro, Angra 3, em construção. Nosso programa acabou estagnado ao longo do tempo”, declarou. O presidente da INB explicou que o acordo original firmado com a Alemanha previa a construção de oito reatores, mas apenas Angra 2 foi concluído dentro dessa parceria. “Angra 1 utiliza tecnologia da Westinghouse, dos Estados Unidos. Angra 2 é de tecnologia alemã. E seguimos trabalhando para concluir Angra 3”, disse.

Com apenas duas usinas em operação, a necessidade brasileira de urânio se estabilizou em cerca de 450 toneladas por ano. “Com Angra 3, essa demanda deve chegar a aproximadamente 700 toneladas anuais. Como tínhamos reservas suficientes para atender essa necessidade, a exploração também desacelerou”, explicou.

O presidente da INB ressaltou que o baixo preço histórico do urânio contribuiu para esse cenário. “Na geração com óleo e gás, o combustível pode representar, em média, 75% do custo total. No nuclear, o combustível representa cerca de 15%, e o urânio é apenas uma pequena fração desse percentual. Sempre foi uma commodity muito barata”, afirmou. O cenário, no entanto, mudou de forma significativa nos últimos anos. “Nos últimos cinco anos, o preço do urânio saiu de cerca de 20 dólares para 85 dólares. As projeções indicam que pode chegar a 150 dólares ou mais. Estamos diante de um novo ciclo”, declarou.

Para Albuquerque, a retomada da energia nuclear é consequência direta do aumento da demanda global por eletricidade e da busca por fontes de base com baixa emissão de carbono. “Ninguém está disposto a abrir mão do conforto. Não vamos desligar celulares, ar-condicionado ou reduzir consumo. A demanda por energia cresce todos os anos”, afirmou.

O presidente da INB destacou que, atualmente, há cerca de 70 reatores em construção no mundo, sendo 32 na China. “Esses países vão precisar de urânio e combustível. O Brasil pode ser um parceiro estratégico, porque domina todo o ciclo do combustível nuclear. Somos um fornecedor completo”, enfatizou.

Durante o debate, também foram discutidos os avanços nos Pequenos Reatores Modulares (SMRs) e nos microrreatores. Albuquerque explicou que, além dos reatores convencionais de grande porte, existem unidades menores que oferecem novas possibilidades de aplicação. Esses projetos ainda estão em fase de desenvolvimento e representam desafios técnicos relevantes. “Os SMRs já são projetos bastante desafiadores. Muitos estão sendo estudados, mas, no final das contas, apenas alguns realmente vão funcionar. Os microrreatores representam um desafio ainda maior e estão ainda em fase de projeto”, disse.

Para Albuquerque, o avanço dessas tecnologias, aliado ao domínio brasileiro do ciclo do combustível, reforça o posicionamento estratégico do país no novo cenário energético global. “O mundo vai precisar de urânio e de combustível nuclear. O Brasil tem recursos minerais, tecnologia e capacidade industrial. Podemos desempenhar um papel relevante nesse novo ciclo”, concluiu.

 

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