A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) encerrou, nesta quarta-feira (16), o Exercício Geral Integrado de Resposta à Emergência e Segurança Física Nuclear (RESEX 2026), realizado na Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), em Resende (RJ). O segundo dia do exercício foi marcado pelo simulado geral, que colocou em prática procedimentos de resposta a dois cenários simultâneos: uma ocorrência radiológica e uma situação de segurança física envolvendo a invasão da instalação.
Durante o simulado, o Plano de Emergência da FCN foi acionado após a identificação de uma ocorrência na fábrica. No cenário proposto, um trabalhador apresentou sintomas pelos efeitos de exposição à radiação e foi encaminhado para atendimento médico, enquanto, paralelamente, quatro invasores armados entraram na instalação e um vigilante ficou ferido. Os episódios mobilizaram equipes da INB e órgãos de apoio externo, incluindo forças de segurança, defesa civil, órgãos ambientais e estruturas especializadas em resposta a emergências nucleares.
A comunicação foi uma das frentes avaliadas durante o exercício, com a equipe de imprensa atuando na gestão da crise simulada desde os primeiros acontecimentos. Ao longo do cenário, foram produzidas e divulgadas notas com atualizações sobre a ocorrência, direcionadas aos centros envolvidos e à população, acompanhando a evolução dos fatos e os resultados das avaliações técnicas. A atuação também incluiu o monitoramento e o esclarecimento de informações que circulavam externamente e, ao final, uma coletiva de imprensa simulada, na qual foram testadas a capacidade de resposta dos porta-vozes aos questionamentos dos jornalistas, a consistência das informações divulgadas e a coordenação da comunicação diante de uma situação de emergência.
Para o coordenador-geral de emergência da FCN, Luciano Sadde, a combinação dos dois cenários representou um desafio adicional para as equipes. “Nós testamos aqui as capacidades de resposta de todos os centros envolvidos e todo o apoio externo que precisamos para combater um tipo de evento como esse. Foi uma oportunidade muito boa para todos nós testarmos as respostas dos órgãos externos e também o nosso plano de emergência, para saber se estamos realmente capazes de atuar numa emergência, se ocorrer”, afirmou.
Segundo Luciano, a preparação é construída por meio de treinamentos frequentes realizados na própria fábrica. “Aqui na FCN nós exercitamos praticamente 12 vezes por ano, em diversas situações: incêndio, ocorrência radiológica, invasão e sabotagem. São diversos cenários em que precisamos estar sempre treinados e preparados”, explicou. Ele avaliou ainda que o exercício demonstrou a capacidade de interação da FCN com as instituições envolvidas. “Não vamos nunca chegar à excelência total, mas o objetivo é estar sempre melhorando. Se a gente parar de fazer segurança, vamos regredir com certeza. Então, temos que estar sempre treinando para responder de forma correta a essas emergências”.
A integração entre os diferentes centros de gerenciamento também foi destacada pelo diretor do Centro Estadual de Gerenciamento de Emergência Nuclear (CESTGEN), coronel Giovanni Mouta Giglio. Para ele, além de testar procedimentos, o encontro permite aproximar profissionais que nem sempre têm a oportunidade de atuar juntos. “A gente tem poucas oportunidades de estarmos presentes juntos, além das reuniões do centro, que são três ou quatro por ano. O simulado é uma grande oportunidade de conversar e se conhecer durante o exercício”, afirmou.
O diretor ressaltou ainda que a troca de informações entre os participantes contribui para o aprendizado coletivo. “Mesmo quando o evento é direcionado diretamente para a fábrica, os centros conseguem discutir o assunto, compartilhar as informações e conversar sobre o tema. É um aprendizado muito grande, principalmente porque temos membros novos no CESTGEN. Essa contribuição acontece a cada momento em que estamos juntos”, disse.
Representando o Centro Nacional de Gerenciamento de Emergência Nuclear (CNAGEN), o comandante Jorge Alexandre dos Santos Dimas destacou a evolução dos cenários e a coordenação entre as estruturas envolvidas. Segundo ele, a criação de situações diferentes a cada exercício exige que os centros estudem novas possibilidades de resposta. “A evolução do cenário traz sempre situações novas e acaba exigindo dos centros um estudo de caso. A cada estudo desses, a gente evolui bastante”, afirmou.
No encerramento, o diretor do Departamento de Coordenação de Assuntos Nucleares do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR), capitão de mar e guerra Alexandre Souza de Aguiar destacou o trabalho conjunto realizado nas etapas de preparação e execução do RESEX 2026. “Fizemos três reuniões de planejamento para chegar a este exercício. Fazer uma atividade dessa natureza com seriedade e profissionalismo dá muito trabalho, e por isso é importante reconhecer a dedicação de todos que participaram do planejamento e da execução”, afirmou.