Como é feito este monitoramento?

Considerando que as vias possíveis de contaminação a partir da estocagem de Torta II são as águas subterrâneas e de superfície, as amostras destas matrizes são coletadas com frequência trimestral, assim como amostras de sedimento são coletadas com frequência anual conforme previsto no Plano de Monitoração Radiológica Ambiental – PMRA.

Os pontos de amostragem estão localizados a montante, ou seja, antes pontos de controle do Sítio e a jusante dos depósitos (depois do Sítio), com o objetivo de monitorar as possíveis vias de dispersão e averiguar se alguma contaminação radioativa atingiu o meio ambiente circunvizinho, averiguação esta feita pela comparação entre os fluxos à montante e a jusante da instalação.

Como o depósito da INB encontra-se a montante do Ribeirão Monjolinho, afluente do Ribeirão Taquaral, que tem as águas captadas para tratamento e abastecimento da população de Itu, foram locados pontos ao longo desse curso d’água, o primeiro a montante do depósito, o segundo na direção dos silos e os demais ao longo do percurso até a captação do Serviço Autônomo de Água e Esgoto - SAAE, em Itu.

Os pontos situados a montante e no Ribeirão Campininha foram inseridos no PMRA como pontos de controle, com o objetivo de estabelecer o background (radiação de fundo) da região.

As amostras coletadas tanto das águas quanto dos sedimentos são submetidas a análises radiométricas para a determinação de radionuclídeos. E a taxa de dose ambiental, ou seja, o cálculo de exposição no ar é determinada através de Dosímetro Termoluminescente - TLD.

Nos pontos de monitoração previstos no PMRA são realizadas análises físicoquímicas (pH, Condutividade Elétrica, turbidez, sólidos totais em suspensão), análises químicas (como por exemplo: fluoreto, sulfato, sódio, etc.) e análises radiológicas (Urânio, Tório Radio e Chumbo). É realizado também o monitoramento das taxas de dose através de TLD, em 15 pontos no entorno dos silos. A CNEN também realiza semestralmente análises radiométricas em laboratório próprio para acompanhamento e checagem dos resultados da INB, em um programa denominado Plano de Coleta Conjunta – PCC.

Os Pontos de monitoração definidos são:

  • Ponto 001 – Ribeirão Monjolinho, a montante do Sítio da INB (Ponto de Controle);
  • Ponto 002 – Ribeirão Monjolinho, no terreno da INB;
  • Ponto 003 – Água de um pequeno córrego, afluente do Monjolinho, que nasce no terreno da INB, próximo aos depósitos da Torta II;
  • Ponto 004 – Ribeirão Monjolinho, a jusante do Sítio da INB;
  • Ponto 005 – Captação de água de abastecimento na válvula de nível do depósito Bairro Rancho Grande, SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), Itu;
  • Ponto 006 – Poço que abastece a casa do vigia do sítio (água subterrânea);
  • Ponto 007 – No SAAE, água tratada distribuída à população de Itu;
  • Ponto 008 – Ribeirão Monjolinho no caminho da Campina Santa Fé (a jusante do ponto 004);
  • Ponto 009 – Água de nascente, fora do Sítio da INB (Ponto de Controle);
  • Ponto 010 – Ribeirão Campininha, em outra vertente (Ponto de Controle);
  • Ponto 011 a 016 – Piezômetros no entorno do depósito de Torta II.

A taxa de dose é determinada por TLD em 15 pontos, denominados TLD-021 à TLD-035, conforme mapa disponível para consulta no relatório anual e na INB.

O estudo dos dados obtidos nas amostragens e análises nos permite afirmar que a quantidade de radionuclídeos presentes na água é natural e que não há impacto da estocagem de torta II na população de Itu.

Para demonstrar tal afirmação tratamos os dados de águas superficiais obtidos no período 2005 a 2013 e verificamos que a Dose derivada de consumo de água diretamente do rio é muito inferior aos limites previstos nas normas nacionais e internacionais, como pode ser verificado no gráfico abaixo.

A simulação de dose efetuada é para uma pessoa que mora no Sítio São Bento, consome diariamente 2 (dois) litros de água colhida no Ribeirão Monjolinho, ao longo do ano. Os cálculos foram efetuados ano a ano de 2005 a 2013 com a média de concentração dos radionuclídeos. Esse cenário é a condição mais preocupante para um cidadão ituano em relação à Botuxim e não apresenta nada de diferente em relação ao meio ambiente regional.

Efetuamos ainda a simulação de um cenário em que um trabalhador do Sítio São Bento atue 8 horas por dia na proximidade dos silos e more na casa sede, passando 11 meses por ano dentro do Sítio e consumindo água diretamente do ribeirão conforme situação anterior.

Os resultados mensais de Dose Externa medida com dosímetro TLD são inferiores ao limite de detecção do método utilizado pela empresa contratada pela INB e certificada pela CNEN para a prestação deste tipo de medição. De forma conservadora consideramos que a dose mensal foi igual ao limite de detecção do método, 0,2 mSv/mês (os boletins de análise mostram que é inferior a esse valor), acrescida da dose pelo consumo de água.

Os resultados desta simulação são muito inferiores ao limite estipulado pela Norma CNEN NN 3.01 considerando um trabalhador que é de 20 mSv/ano, tais resultados podem ser verificados no gráfico abaixo.

Outra comparação que pode ser feita é com a Dose Natural Média da população americana, estimada em 3 mSv/ano pela Nuclear Regulatory Commission – NRC e Environmental Protect Agency – EPA, nos dois cenários propostos acima os valores foram inferiores à 3 mSv/ano.


Data da última atualização: 14/07/2016 17:31:30

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