Caetité (BA) – A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) alcançou um marco histórico com a obtenção da acreditação do Laboratório de Controle Ambiental da Unidade de Concentração de Urânio (LCA) pela Coordenação-Geral de Acreditação (CGCRE) do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) na norma ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017. O reconhecimento, concedido em 31/03, atesta, em padrão internacional, a competência técnica do laboratório para a realização de amostragens e ensaios ambientais, ampliando a credibilidade dos dados apresentados à sociedade e aos órgãos reguladores.
Segundo o gerente de Segurança, Radioproteção e Meio Ambiente da INB, Lupicino Teixeira, a busca pela certificação surgiu inicialmente como uma condicionante da Licença de Operação, mas rapidamente assumiu um papel estratégico para a empresa. “Mais do que atender ao licenciamento, entendemos a importância de dar uma resposta qualificada à sociedade. Com a acreditação, a CGCRE formaliza o reconhecimento da competência do nosso laboratório dentro de um padrão internacional, o que eleva o nível de confiança nos resultados que apresentamos”, destaca.
A estruturação do processo, iniciada em 2024, exigiu mobilização institucional, contratação de consultoria especializada e engajamento integral da equipe técnica. Em apenas três meses, a INB conseguiu formalizar na coordenação do Inmetro o pedido, incluindo escopo, documentação e requisitos técnicos.
Após análise documental, auditorias realizadas em julho e outubro de 2025 indicaram a recomendação do laboratório, culminando na acreditação. “O que vemos hoje é a consagração da força do time. Foi um trabalho coletivo, com envolvimento de todas as áreas. Mais do que o certificado, fica o resultado de uma equipe que evoluiu e demonstrou capacidade de planejar e entregar com excelência”, reforça Lupicino.
Atualmente, o laboratório realiza cerca de 25 mil análises por ano, atendendo às demandas de monitoramento ambiental da unidade.
Credibilidade ampliada e impacto direto na sociedade
Para a química Paloma S. Müller, que atuou diretamente na condução do processo, a acreditação representa um salto qualitativo nos serviços prestados pelo laboratório. Todo o ciclo, da coleta das amostras à emissão dos resultados, segue padrões internacionais, reforçando a rastreabilidade dos processos. “Entendemos que a percepção de credibilidade nos resultados dos programas ambientais aumenta significativamente pois o símbolo da acreditação traz maior segurança para quem recebe esses dados, inclusive para a comunidade”, afirma.
Com mais de duas décadas de atuação na área, a técnica em química Alessandra Colaço também reforça o impacto direto para a população do entorno: “Os resultados que entregamos dizem respeito ao meio ambiente e à vida das pessoas. Agora, a comunidade pode confiar ainda mais nos dados apresentados”.
Trajetória de evolução técnica
A conquista consolida uma trajetória de aprimoramento contínuo do laboratório, que iniciou suas atividades operacionais por volta de 2013 e, desde então, sempre atuou com rigor técnico na execução de suas análises.
O Laboratório de Controle Ambiental já participava regularmente de ensaios de proficiência e de programas interlaboratoriais — ferramentas reconhecidas internacionalmente para validação de desempenho analítico. Esses processos comparativos já evidenciavam a confiabilidade dos resultados produzidos pela equipe, demonstrando aderência a padrões técnicos exigentes.
Escopo inédito no país
Outro diferencial do Laboratório de Controle Ambiental é o escopo abrangente da acreditação, que contempla mais de 20 ensaios e inclui tanto análises laboratoriais quanto processos de amostragem.
De acordo com a equipe técnica da INB, não há, no Brasil, laboratório acreditado com características equivalentes dentro do escopo proposto e mesma natureza de atividade, ou seja, da indústria de mineração e de beneficiamento de urânio, o que confere caráter pioneiro à iniciativa.
A acreditação possui validade inicial até março de 2027, quando o laboratório passará por nova auditoria de reavaliação. “O processo de manutenção é tão desafiador quanto a conquista. Exige investimento, estrutura e continuidade do compromisso institucional. Mas estamos preparados para avançar”, conclui Lupicino.